domingo, 19 de julho de 2015

Interrogações...

Os justos sofrem,
os oportunistas vencem.
Será que vale a pena?

Os humildes rastejam,
os chupadores de sangue reinam.
Será que vale a pena?

Os honestos trabalham...
Enquanto isso, refastelados,
sobre suas pilhas de ouros furtados,
os ladrões bebem o seu suor em copos de pé.
Será que vale a pena?

Vale sempre a pena!
A honra é eterna.
A reputação também.

sábado, 6 de junho de 2015

Under a Full Moon Madness

Esta noite sinto-me só.
Apetecem-me os ares noturnos do monte. 
A brisa fresca a banhar-me a cara destapada. 
Apetece-me levar as mãos à boca, 
E, sobre ela, 
Formar com os dedos entrelaçados uma concha 
Apetece-me contrariar minha existência;
Soltar um uivo abafado e esperar pela resposta, 
De baixo de um luar poderoso... 
De um Céu maravilhoso...

Quando a resposta chegar, 
Longínqua ou não, 
Apetece-me romper pelo meio da densa vegetação 
Seguindo a resposta ao meu chamamento. 
Tornar-me Lobo e deveras ser um.

Apetece-me juntar-me a eles e enroscar-me num covil, 
Entre pêlos e respirações profundas... 
Conforto... 
Calor... 
E assim adormecer, tranquilamente, embalado pelo arfar da doce Natureza.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Homo Sapiens

Fugir. Evadir-me deste mundo nojento de gente asquerosa. Capaz das maiores atrocidades e falsidade. A minha razão de viver é fugir deste mundo povoado e dominado pela raça mais impura de todas. A raça humana.

Uma raça que significa a ruína e a extinção de tantas outras. Que constantemente contribui para o desaparecimento de indivíduos seus irmãos. Que desenvolveu um horrendo mecanismo para enganar, mentir e esconder.

Uma raça cuja única e verdadeira razão de viver é sobrepor-se aos restantes indivíduos. Profetas da ambição…hipócritas, exibem os seus crucifixos e, entre as mãos postas, seguram as 30 moedas e o punhal com que atacarão o “amigo” no peito. Corvos – com o devido respeito e pedido de desculpas, a esse animal esplendoroso, pela comparação – alimentam-se dos despojos fúnebres dos seus semelhantes, atrevendo-se ainda a lutar entre si pelas migalhas.

“Estou de luto. De luto permanente” e, por isso, como humano, cedo às imposições e estereótipos desta sociedade nefasta e mortificada e visto de negro. Negro do luto pela podridão da raça humana.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Cruzamentos

Hoje deixo aqui um texto da autoria de uma amiga, L.R., acerca das dificuldades enfrentadas, por bandas de metal, de singrar em Portugal.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Cristianismo: Porque não.

Um destes dias, uma amiga mostrou-me uma publicação num Tumblr que me fez pensar sobre algo que, embora não verbalize (ou sequer pense, normalmente, sobre o assunto) traduz exatamente a minha opinião em relação à religião, no geral, e ao Cristianismo, em particular.

No primeiro post que aqui escrevi disse-me ateu, algo que ao longo deste texto pode ser posto em causa pois admitirei, de forma hipotética, a existência de Deus.

Caso Deus realmente exista, porque havemos de confiar nele cegamente? Porque razão lhe havemos de contar os nossos segredos e confessar os nossos "pecados"? Passo a explicar de seguida estas minhas dúvidas.

Porque razão devemos confiar em alguém que, sendo omnipresente, omnipotente e omnisciente, deixa que injustiças, atos macabros e supostos "azares" aconteçam?

Por que razão hei-de adorar um deus que permite que crianças, por todo o mundo, morram de frio, de fome, sejam tornadas soldados de palmo e meio, muitas vezes depois de capturadas e obrigadas a assistir à morte do seu pai e à violação seguida de assassinato da sua mãe?

Porque havemos de seguir um deus que deixa que os seus supostos "filhos" sejam "abençoados" com doenças letais, como o cancro? Ou que permitiu que, ao longo da História, fossem cometidas barbáries em seu nome?

Não pretendo influenciar a opinião nem ofender as crenças de ninguém, apenas fazer pensar quem ler este texto. Para mim, estes são argumentos suficientes para me manter bem longe do Seu "reino sagrado".

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Fogo

Numa noite fria do mês de Novembro de ’95 jazia deitada na cama fria e desconfortável em que dormia todas as noites desde que os meus pais haviam falecido.

Apesar de desagradável, aquela cama nunca me dera tal segurança como naquela noite. O potente som da trovoada fazia-me esconder debaixo dos lençóis como um coelho dentro da sua toca.

Por cima de mim, na cama de cima do beliche, a minha irmã assistia, sentada, olhando pela janela, ao espetáculo que a mim tanto me atemorizava.

Virei-me para a parede e fechei os olhos com força para evitar ver a luz emitida pelos relâmpagos constantes. Momentos depois, quando já quase conseguia adormecer, ouvi um som; sentei-me. Era Eleanor, a minha irmã, que descia devagar os degraus desde a sua cama até ao chão. Perguntei-lhe:

- Onde pensas que vais?!

Não me respondeu, em vez disso correu descalça pela escada até ao piso térreo. Levantei-me sobressaltada e segui-a a correr. Desci as escadas em saltos e ainda vi a velha porta branca fechar-se atrás da pressa dela. Persegui-a.

De frente com a velha em que então vivíamos com os nossos tios erguia-se um velho celeiro feito de madeira pintada de um vermelho desbotado. Eu e Eleanor costumávamos ir para lá brincar pois tinha muitos lugares onde nos podíamos esconder.

Vi-a empurrar a pesada porta e entrar dentro do celeiro escuro; segui-a. Entrei e estaquei (recuperando o fôlego) perante a escuridão profunda apenas interrompida pela luz proveniente dos relâmpagos, tremia de medo. Respirei fundo e gritei com uma voz algo trémula:

- Eli! Onde estás?!

Um fardo a cair e uma risadinha. Segui o som.

Encontrei-a no andar de cima, escondida num labirinto de palha, sentada no chão com a sua boneca preferida no colo, olhando a tempestade através duma janela. Repreendi-a e corri até ela sentando-me ao seu lado.

- Não devíamos estar aqui Eli! Com uma tempestade destas é muito perigoso!

Conforme proferi a última palavra, um enorme estrondo se ouviu dentro do velho e frágil celeiro. Alguns segundos após o estrondo que pôs os nossos corações a baterem como loucos (ouvia-se ainda o seu eco) ouvimos pequenos ruídos crepitantes. Debrucei-me sobre o parapeito e vi chamas a começar a consumir a palha armazenada; gritei. Ordenei à minha irmã que se levantasse, ela olhou-me com desdém, permaneceu imóvel. Gritei-lhe novamente acrescentando desta vez que o celeiro se tinha incendiado quando um relâmpago o atingira.

Foi então que na sua pequena face se desenhou um sorriso, (imagem que nunca irei esquecer) e esta permaneceu sentada. Então, pasmada, peguei-lhe ao colo juntando todas as minhas forças, e corri descendo as escadas.

De repente senti que ela me mordia o ombro. Larguei-a com a dor, um fardo em chamas caiu entre nós, seguido de uma enorme trave de madeira. Assustada corri para a porta do celeiro abrindo caminho afastando os obstáculos. Em lágrimas, abri a velha e pesada porta com dificuldade, fechei-a com estrondo e saí. Corri, tossindo, desviando-me da construção que agora parecia um fósforo gigante.

Segundos depois, o celeiro dos meus tios desmoronou-se como um castelo de cartas em chamas, sobre o local onde estivera apenas algumas frações de segundo antes. E o fogo dominou a minha visão durante horas, horas em que permaneci sentada no chão, tão imóvel quanto Eleanor. Eleanor, minha irmã, levada pelo Fogo.

*baseado em factos reais*

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Alone

I feel Alone...
I feel deeply, silently, thankfully Alone.
Laid at last without their groan.
Finally not moving a bone...

One thousand meters of dirt and sand above me,
Barely listening the whisper of the wings of a bee.
Those I love; not the ones that in some time will start to eat me
Love them like I love those I will never ever see.

From time to time I hear the crying of those who come to keep me company.
Deeply, I desire they would do the same journey
And join me in this eternal rest...
In this meditation quest.

Here I stand still
Like an old wise oak
Like I was made of steel,
Yet I am not. I broke...